Óbito

Estágios de depressão: quando o luto no Natal se torna algo maior?

O luto é um processo natural e necessário, que inclui a tristeza intensa. No entanto, quando a dor da perda se torna crônica e incapacitante, pode evoluir para um quadro clínico, como a depressão maior. Esses casos se intensificam em datas comemorativas como o Natal. Por isso, é importante reconhecer os estágios da depressão e como ajudar na mitigação dos mesmos. Entenda mais neste artigo da Central Cemitérios!

Como identificar os estágios da depressão e diferenciá-lo do luto normal?

É comum que o termo “depressão” seja usado de forma intercambiável com “tristeza”. Contudo, a depressão maior (ou depressão clínica) é um transtorno de humor que, diferentemente do luto, não é composto por “estágios” sequenciais de passagem, como o modelo de Kübler-Ross.

Em vez disso, o diagnóstico da depressão é feito pela persistência de um conjunto de sintomas centrais que afetam o indivíduo por um período mínimo de duas semanas. É a intensidade e a generalização desses sintomas que marcam os estágios da depressão como um quadro patológico que exige tratamento.

Os estágios da depressão clínica são definidos pela presença constante e incapacitante dos seguintes sinais, que devem interferir no funcionamento diário da pessoa:

1- Humor deprimido persistente

Este é o sintoma central. Trata-se de uma tristeza profunda, angústia ou desolação que está presente na maior parte do dia, quase todos os dias. Ao contrário do luto, onde há momentos de alívio e até de prazer, a depressão é marcada pela constância do humor rebaixado.

2- Perda de interesse e prazer (anedonia)

A perda de interesse ou prazer em atividades que antes eram prazerosas é um dos marcadores mais fortes. A anedonia se manifesta no desinteresse por hobbies, trabalho, interações sociais e até mesmo atividades básicas. Para quem vivencia os estágios da depressão, as coisas perdem o sentido.

3- Alterações físicas e psicomotoras

A depressão afeta o corpo de forma significativa. Isso inclui:

  • fadiga intensa: cansaço e perda de energia frequentes, mesmo após o repouso;
  • alterações no apetite: pode haver perda significativa de apetite e peso, ou, inversamente, um aumento no consumo de alimentos;
  • perturbações do sono: insônia (dificuldade em iniciar ou manter o sono) ou hipersonia (excesso de sono);
  • lentidão psicomotora: a pessoa pode se mover ou falar de maneira mais lenta (lentidão psicomotora).

4-Sentimentos de culpa e inutilidade

Enquanto no luto a culpa é focada na perda (“eu deveria ter feito mais por ele”), nos estágios da depressão a culpa é generalizada e não relacionada ao falecimento. O indivíduo sente-se inútil, sem valor e manifesta baixa autoestima, uma característica não central no luto normal.

5- Prejuízo cognitivo e ideação suicida

Nos quadros mais graves, os estágios da depressão incluem:

  • dificuldade de concentração: problemas para tomar decisões, pensar com clareza ou se concentrar;
  • pensamentos de morte ou suicídio: ideações recorrentes de morte ou planejamento de suicídio, que indicam um risco iminente.

Por que os estágios da depressão podem se aprofundar com datas comemorativas?

Tanto para o enfrentamento do luto quanto para a depressão, datas comemorativas, como o Natal, podem acionar “gatilhos” mentais. Isso porque as memórias de tempo mais felizes com pessoas amadas, que não estão mais aqui, vem à tona.

Nesses momentos, há risco do luto evoluir para algo mais profundo, e dar-se início aos estágios da depressão, ou destes se aprofundarem com o luto diante desses momentos. Nessas situações, o importante é:

 

  • priorizar o autocuidado;
  • honrar significados que façam sentido;
  • ajustar expectativas;
  • buscar ajuda ativamente.

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